quarta-feira, julho 22, 2015

Análise do atentado terrorista na escola de Realengo quatro anos depois

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Foto: Antonio Lacerda/EFE

João Cruzué
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Voltei a escrever depois de quatro anos, sobre minha postagem de abril de 2011 [1] e seus 57 comentários. Quero fazer uma breve análise do trágico atentado perpetrado pelo jovem Wellington Menezes de Oliveira, na Escola Municipal Tasso da Silveira, no bairro de Realengo, Zona Oeste da Cidade do Rio de Janeiro. Na ocasião ele assassinou 10 garotas e 02 meninos com tiros de revólver, na cabeça e no peito, e depois suicidou-se com um tiro na boca.

Como este blog trabalha principalmente com reportagens e assuntos religiosos, é dentro destes limites que estou fazendo minha análise. Como blogueiro desde 2005, não tenho o direito de esconder fatos ou manipular dados para agradar ou desagradar ninguém. A verdade tem que ser dita, inclusive, porque estamos diante de do primeiro atentado desse tipo no Brasil, Em abril de 2011 ainda não estava evidente o motivo dos assassinatos, todos achavam, inclusive eu, que era um ato de loucura, e como tal, não precisava de motivação. Na época achava, como pentecostal, que era possessão demoníaca.

O contexto desse atentado é ambíguo e inquietante. Se por um lado poderia ter sido um ato de loucura/esquizofrenia de um sujeito com muitos parafusos soltos na mente, por outro, não podemos esquecer que a Revista Veja (edição 2211 - 06.04.11) publicou uma reportagem especial com 09 páginas (pp. 88/96), sobre a existência de extremistas islâmicos no Brasil. Foi a principal matéria de capa, textos do repórter Leonardo Coutinho e fotos de Manoel Marques. Nesta reportagem, no rodapé esquerdo da página 90 está: "A ESCALADA DO MAL - em duas décadas, o avanço extremista no Brasil já cumpriu quatro estágios, segundo a Polícia Federal. O próximo passo pode ser a realização de atentados."


Wellington Menezes de Oliveira.

Cinco dias depois da revista sair às bancas, dia 07 de abril de 2011, um jovem, ligado ou simpatizante do Islã radical, há dois anos, irrompe ela Escola Municipal Taso da Silveira, no Rio, mata 10 meninas, dois meninos, fere mais 14 pessoas e, depois comete suicídio, com um tiro na boca. Tudo isto era apenas coincidência? Uma análise rápida indicaria que sim, mas há uma pequena dúvida no entendimento das autoridades sobre um componente desconhecido e oculto neste caso. E este componente, ainda que com remotas possibilidades, pode estar ligado ao final do parágrafo anterior.

O Brasil já é grande demais no contexto mundial para ficar fora das mazelas internacionais e que o encaminhamento da política de relações exteriores, sob a presidente Dilma, mudou o viés, dando uma guinada de 180º em relação à orientação anterior.

Wellington Menezes de Oliveira foi participante da Igreja Testemunha de Jeová? Sim. Ele seguia os mesmos passos da família de parentes que o adotara, principalmente da mãe, que o levava para praticar evangelização de porta em porta, como é da cultura da Igreja. Mas depois que ela morreu, deixou a Igreja e se converteu ao Islã. Este fato não pode ser desmentido, pois foi testemunhado por vizinho e membro da mesmo Salão do Reino, que Wellington frequentava. 


Isto foi publicado no meio de uma extensa reportagem publicada no jornal americano "The New York Times" e também confirmado em outra publicação na Rcnet - ambos com links na minha reportagem anterior.

Wellington era membro de alguma comunidade Islâmica no Rio? Nenhuma fonte de informação publicou isto. O que foi publicado é que ele se converteu a fé islâmica há dois anos. Se ele se converteu é porque houve um agente efetivo que o recebeu e doutrinou. Se foi em uma comunidade, célula ou apenas uma pessoa - ainda não sabemos, mas este fato não pode ser escondido debaixo do tapete. Corrobora para isto as palavras da irmã, da jornalista amiga da família Oliveira e do irmão que citou uma frase de autoria do atirador, em que ele almejava derrubar um avião da mesma forma igual ao que os terroristas do 11/setembro fizeram, ou seja, o padrão máximo de ação na cabeça de qualquer pretendente a extremista islâmico.

Wellington era cristão ou muçulmano?

Se a frequência de uma pessoa a uma Igreja Cristã fizer dela um Cristão, durante boa parte de sua vida toda ele frequentou um Salão do Reino, que chamamos Igreja Testemunha de Jeová. Mas a frequência ou membresia de uma pessoa não faz dela um legítimo seguidor de Yaveh adorado e ensinado pela Igreja. Já o testemunho de pessoas próximas e reportagens publicadas recentemente, mostram que ele deixou o Salão do Reino dos Testemunhos de Jeová, havia mais ou menos dois anos, quando se converteu ao Islamismo. E se converteu, era muçulmano. Se frequentava uma Mesquita, célula islâmica ou a casa de algum extremista, isto não divulgado, mas sua idiossincrasia e isolamento veio por mudança de fundamento religioso. Ele deixou de ser um TJ para ser um fundamentalista islâmico.

Wellington era um terrorista? Há terroristas católicos? Sim, na Irlanda do Norte. Há terroristas Islâmicos? Sim. Na Chechênia, na Índia, no Líbano, e em uma infinidade de países de maioria religiosa muçulmana. O esteriótipo do terrorismo no contexto atual é de origem no radicalismo islâmico. Um pouco mais: "As cartilhas terroristas recomendam aos militantes que desfiram atentados em ocasiões em que suas ações ganhem visibilidade." Neste contexto, a falta de uma causa evidente que justifique a explosão de fúria é um claro sinal de terrorismo. Wellington Menezes de Oliveira tinha sim um perfil de terrorista, ou pelo menos desejava tê-lo. Era uma mente envenenada por alguma palavra, planejando sua epifania, misturando a falta de parafusos com terrorismo. O mais estranho em tudo isso é que tenha acontecido na Cidade do Rio de Janeiro.

Pode ser que nunca fique provado que ele fosse de fato um terrorista islâmico e que nenhum veículo da grande mídia possa escrever abertamente isso. Mas eu garanto que, informalmente, no meio dos radicais islâmicos, Wellington Menezes de Oliveira já é considerado o primeiro mártir islâmico a praticar um ato de terrorismo autêntico no Brasil. Esta tragédia deveria acender  um alerta vermelho na cabeça das autoridades brasileiras que vão cuidar da segurança de milhares de pessoas que virão para os dois eventos de máxima envergadura esportiva mundial: A Copa do mundo em 2014 e os jogos olímpicos de 2016. 


A Copa já passou. Por ter acontecido em meio a uma série de protestos internos com muita veiculação na mídia, seria ocasião inoportuna para eventuais pretensões de natureza terrorista. O terrorismo islâmico planeja suas ações para tempos inesperados: Buenos Aires (1994), Nova York (2001), Madrid (2004), Londres (2005), Boston (2013) - todos ocorreram de forma furtiva e inesperada. Que as autoridades brasileiras fiquem atentas para os Jogos Olímpicos de 2016.

Guarujá-22.07.2015

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Nota do Blogueiro: A comunidade "árabe" e a Igreja Islâmica no Brasil, não têm nada a ver com terrorismo de extremistas islâmicos, assim como as Testemunhas de Jeová nada têm do que se envergonhar, pois nunca estiveram associados ao fomento do terrorismo em qualquer parte do mundo.

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